A recuperação extrajudicial da Oncoclínicas coloca uma discussão relevante para qualquer empresário que olha M&A como caminho de crescimento.
A aquisição, isoladamente, não cria valor. Ela cria possibilidade de valor.
Mas ele só aparece quando a operação adquirida é integrada, quando a margem é preservada, quando a dívida cabe no balanço e quando a governança consegue administrar a complexidade criada.
No caso Oncoclínicas, as informações públicas apontam uma expansão relevante após o IPO, baseada em aquisições e abertura de unidades. A empresa realizou 133 mil tratamentos e opera 142 unidades, mas a pujança operacional foi sequestrada por uma perda acumulada de R$ 4 bilhões em 12 meses. O problema aparece quando essa expansão passa a conviver com juros mais altos, pressão sobre caixa, prejuízo relevante e necessidade de reestruturação financeira.
Esse é o ponto que empresários deveriam observar.
Mesmo bons M&As falham quando o pós-deal não transforma ativos comprados em geração de caixa defensável.
O que poderia ter sido diferente?
Uma régua mais rígida para cada aquisição.
Um plano de integração com metas financeiras reais.
Uma leitura contínua de dívida líquida, covenants e capital de giro.
Um comitê de expansão capaz de desacelerar quando o caixa começa a sinalizar deterioração.
Uma separação clara entre crescimento estratégico e crescimento que apenas aumenta obrigação futura.
O empresário que compra para crescer precisa lembrar:
O mercado não remunera apenas expansão.
Remunera expansão sustentável.
Dito isso, você toma esses cuidados no seu M&A?
